Há mais ou menos 1 ano eu tenho recebido uns e-mails estranhos que, a princípio, julguei ser uma brincadeira boba de algum amigo. Todos sabem que adoro histórias que parecem ser verdadeiras, mesmo sendo absurdas. Além dos e-mails eu recebia também fotos pelo correio. Fotos da suposta remetente: uma vampira, interessada em ter sua história publicada em HQ. No entanto, a partir do 3º mês ela começou a me escrever sua história de verdade e me mandava fotos que funcionavam mais como provas de que sua história era verídica. Ainda hoje me correspondo com Huri, e sinceramente não sei qual é a verdade.

Foto datada de 14 de fevereiro de 1945 em cujo verso acusa a localidade de Saint Petersburg, Russia, que na época deveria ter outro nome, detalhe sem importancia
.TRANSCRIÇÃO DOS E-MAILS DE HURI, UMA VAMPIRA CONTEMPORÃNEA
Olá, meu nome é Huri. Eu sou uma vampira. Sim, isso mesmo mas, não isso que você imaginou. Porque digo isso? ora, todas as suas concepções sobre vampiros são um tanto ridículas. Na verdade, puro folclore mas deixarei essas discussão para mais tarde, quando você estiver melhor familiarizada comigo. Não me lembro exatamente quando nasci..sabe como é...faz muito tempo. A primeira lembrança (ou pelo menos acho que é a primeira) que tenho é a de minha mãe morrendo de sífilis e em seguida meu pai. Foi o momento mais marcante da minha infância. Deve ter sido por volta dos anos de 1400, século XIV. Com a morte de meus pais, meu tutor passou a ser meu tio Léon. Um ser humano extremamente amável, porém ingênuo demais. Não aprendi nada com ele que pudesse ser usado para me defender. Fui criada em um ritmo de vida pacato e em regiões rurais da Russia, lugar onde eu acredito ter nascido e onde busco a verdade da minha origem até os dias de hoje. Quando completei 18 anos, fui apresentada a um jovem forasteiro chamado Gael, sobre quem meu tio não sabia muito a não ser que ele tinha muito dinheiro. Por conta disso, convenceu-me a casar com aquele estranho jovem.
Gael era encantador porém andrógino e de manias estranhas. Quase todas as noites ele saia com o pretexto de caçar. Levava a espingarda mas, ela sempre voltava com todas as balas. Durante um ano vivemos até bem. Ele me cobria de presentes, lindos vestidos e jóias, empregados que me serviam em tudo, viagens pela europa. Mas eu sempre sentia que ele não era totalmente sincero comigo. Bem, a sinceridade das pessoas é uma ilusão. Todas as pessoas tem injetada uma gota de maldade em seus corações, disso pode ter certeza. Não duvide de alguém que já viveu bem mais do que você. Gael podia ser doce e elegante, gentil e generoso, mas não pode esconder de mim uma cena terrível: estava ele deitado em nossa cama escondendo parcialmente o corpo de uma jovem que, toda ensaguentada, tentava respirar em agonia pré-morte. Quando me viu, saiu correndo para o toilette com a mão na boca. Ele havia mordido o pescoço e as demais superficies sensíveis da moça, que morreu em meus braços.
Nem preciso dizer o quanto fiquei assustada com tudo aquilo. Mas sempre fui muito discreta. Aliás, descrição é o que não pode faltar num vampiro. Todo vampiro deve ter seu código de "ética", uma cartilha de boas maneiras, ou algo assim. Bem...meu tempo acabou. Preciso sair agora. Até a próxima.
27/05/2005 11:15 h Pequim, China