Pergunto, primeiramente: o que fazer em um segundo antes de uma tragédia? Você pode pensar que não dá pra fazer nada. Mas em um segundo Jill Telnd Dalnd viveu uma vida.
Na pacata cidade de Ville Soup Vegetable, no sul da Paraíba viveu Jill, uma moça estranha. Mas porque estranha? Bem, pelo que eu soube Jill morava sozinha num quarto subterrâneo na praça da cidade. Sua porta para o mundo era uma tampa de esgoto. Então agora você deve ter se lembrado das Tartarugas Ninja. Exatamente! Uma casa no esgoto.
Jill vivia uma vida tranqüila. De manhã, ao acordar, comia sanduíche de rato com suco de chourumi. Trabalhava limpando as ruas de Ville Soup Vegetable. Ganhava seu dinheiro e curtia sua vida muito serenamente. Tinha um amante, chamado Fox Six Ten, um cara bacana, gente boa demais.
Jill Telnd Dalnd e Fox Six Ten viviam um amor bem sexual. Na verdade, não amoroso, mas sexual, principalmente. Logicamente, eles sabiam curtir muito bem a vida. Todos os domingos iam para a gruta Nina Fruit, na montanha Jack Frost, onde tomavam banho nus e faziam rituais criados por eles mesmos. O ritual do Torture, por exemplo, envolvia jogos de sadismo com desejo sexual do tipo “quanto mais você quer, mais demoro a te dar”.
Num desses domingos ululantes na Nina Fruit, Jill e Fox se desentenderam. Numa briga escrota por causa de uma mordida no lugar errado, o casal começou a trocar ofensas muito fortes. Acusações do tipo: Foi você que começou! É. Muito forte isso.
Não demorou muito passaram das ofensas verbais às agressões físicas e num rompante colossal esplendoroso e longitudinal, Jill agarrou uma pedra grande pelas costas de Fox. Ia matá-lo. Ia cruelmente matá-lo. E daí, né? Morte e violência você vê todo dia na rua, nos jornais e nos filmes. Aposto que você nem se surpreende mais. Mas eu não vou aqui contar uma história de violência e sangue só pra te chocar. Mas, voltando àquele segundo decisivo, onde Jill estava prestes a por fim na vida de seu namorado Fox. Contam que, nesse instante Jill pensou com a capacidade máxima do cérebro humano tanto em organização mental quanto em velocidade. Nesse segundo sem querer Jill experimentou um fenômeno raríssimo na história da neurologia que ninguém nem sabe do que se trata por isso eu dei um nome:
O Secundo prophundus - Quando ocorre um instante de Secundo Prophundus uma série de memórias que estavam escondidas no subconsciente retornam a mente. Muitas vezes as pessoas jogam para o inconsciente, inconscientemente (não resisti a essa, desculpem), algumas lembranças. Geralmente essas lembranças são algo desagradável para a pessoa em questão. Essas lembranças se misturam a um raciocínio claro e objetivo que pode ocupar um milésimo do segundo, frequentemente o ultimo. Todo esse pensamento ocorre de maneira “redonda”, ou seja, com algum sentido, com uma coerência que leva a um ponto x.
Jill estava com uma pedra enorme na mão, a um segundo de socá-la na cabeça de Fox, o que o mataria imediatamente ou lentamente numa cama de hospital, quando teve um Secundo Prophundus no qual retornou a sua memória o dia em que caiu no esgoto, quando ainda era uma criança e nunca mais quis sair. Lembrou-se da figura de um menino que a espreitava pelas manilhas e que ela não sabia quem era, mas que por muitos anos foi seu único companheiro. A única coisa que ela sabia do menino é que ele tinha uma mania estranha. Toda vez que tinha raiva de algo, fungava horrivelmente como um animal desconhecido. E era exatamente o fungado de Fox, no momento em que ela ia matá-lo.
Jill imediatamente arrependeu-se, o que durou um milésimo de segundo. Imediatamente pensou em como desviar a pedra que já ia acertá-lo na cabeça. E numa velocidade “theflashiana” bateu apenas de raspão num dos ombros de seu amado. E então essa é a história verídica de Jill Telnd Dalnd.
Lembrando apenas que esse fenômeno é raríssimo. Por isso, antes de levantar a mão contra alguém, conte até 10.