Final de ano, longe de casa, não tenho desenhos para postar, mas, vasculhando meus manuscritos, achei alguns poemas de um passado não muito distante:
Não deve ser nada
Não chega a ser dor mas machuca como se fosse
É uma dor que habita o coração como se a ele pertencesse
Não sai, nem se move, não alivia nunca
Das poucas vezes que se afasta
Não adianta
Pois não se desvincula
Não chega a ser uma doença
Pois não se manifesta jamais
Nunca é o que a mãe pensa
Nem o doutor nenhuma idéia faz
Do que seja essa coisa sem nome
Sem lados, sem "trás"
Não chega a ser um mal incurável
Ao menos é o que se pode pensar
Parece haver sempre algo
Parece haver sempre algo
Algo que não vai se manifestar
Não chega a ser a falta de alguém
Pois há muitos "alguéns" por onde quer que se olhe
Na janela, na porta, no furo no teto
Na boca, na água, no gole
No pé, na terra, no prego
Não chega a dar motivos para a morte
Tão cheia de incertezas
Nem chega a destruir toda a sorte
Pois ainda existem tristezas
Que fazem sentir feliz
Tão feliz
Estranhamente "em casa" fazem sentir
Não chega a ser loucura
Ainda que sem cura
Não toma no copinho
o "anti" da "doidura"
Nem se transforma em animal
Nem se torna vazio
Pois ainda está normal
Por fora, ainda que no frio
Não chega a ser nada
Pois este nada não começa nada
Não começa nem termina
Não idiotiza, nem ensina
Só corrói o dentro
Mas deixa o fora
Não traz sentimento
Apenas interioriza
Apenas intriga
Apenas me intriga
Me torna tão..."assim"
Algo que não posso definir
Algo a que não posso dar nome
Algo que não foi criado
Nem nunca pensado
Cada vez mais perto
Daquilo que é certo
Porém imprevisível
Terríveis momentos
Corriqueiros tormentos
Dia sim, dia não
Não me deixam
Não me deixam
Não me deixam jamais.
Fim
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Sempre gostei de escrever. Mas, escrever requer calma. Esse ano eu corri demais. Corri desesperadamente pra destruir a barreira que a realidade colocou na minha frente. Corri pra por em prática o meu inconformismo eterno. E foi por isso que escrevi muito pouco.
Além desse devaneio exposto acima, eu costumava escrever vários contos (toscos, mas os primeiros passos são sempre tortos e até resultam em tombos). Não tenho vergonha de expor aqui agora uma das histórias mais non sense baseadas em fatos reais. Este conto tem personagens reais, foi inspirado em pessoas de carne e osso:
O que há com Pichuí?